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Ao narrar o ministério de Jesus na Galileia São Lucas deixa clara a
universalidade da missão de Jesus (Lc 11,1-4; 4, 11-21). Jesus
“ensinava nas sinagogas com aplauso universal”. Muitos foram
testemunhas oculares dos prodígios por Ele realizados e se tornaram
servidores da Palavra, elogiando inclusive o extraordinário Pregador.
Jesus veio a Nazaré onde Ele, enquanto homem, fora educado. Na
sinagoga de Nazaré, dia de sábado, Ele se levantou para fazer a
leitura da Escritura. Abriu o livro do Profeta Isaias que lhe fora
entregue. No qual encontrou a passagem na qual estava escrito: “O
Espírito do Senhor está sobre mim e me consagrou pela unção. Ele me
enviou para levar a Boa Nova aos pobres e anunciar aos cativos sua
libertação, e aos cegos o dom da vista, e pôr em liberdade os
oprimidos e promulgar um ano de graça concedido pelo Senhor”. Depois
afirmou que esta passagem que acabavam de escutar se confirmava ali.
Jesus é aquele que veio trazer a Boa Nova ao mundo. Ele veio e vem
também para transmitir a nós pessoalmente porque diante de Deus nós
somos pobres, pobres de amor e cegos da verdade e Ele abre nossos
olhos, nossos corações para que possamos ver e entender os valores do
ser humano e não apenas as aparências, oprimidos que somos por todas
as más influências da sociedade ou dos olhares atrevidos dos malignos.
Jesus vem nos ensinar a acertar nossas ações, fixando nele o nosso
pensamento, nos mostrando a importância de viver na total confiança
nele. Sim! Em tudo isso Jesus está a nos cumular com suas graças,
mas nós as reconhecemos, nós as recebemos? Sabemos nós vivê-las em
plenitude? Jesus é realmente nosso Senhor, nosso Salvador? É preciso,
porém nos lembrarmos sempre que as palavras do Evangelho têm uma
atualidade e uma universalidade que são eternas. Isto porque elas
foram pronunciadas pelo Ser Eterno e são sempre atuais, dado que Deus
faz que elas se realizem em qualquer época. Trata-se de uma palavra
que tem o poder de transformar o ser humano que a recebe com amor.
Deus nos fala não aos nossos ouvidos, mas ao nossos corações, enchendo
o fiel de sabedoria e retidão É fonte inesgotável de vida. Eis por que
quem a ouve deve dizer a Deus como Maria: “Que se faça em mim segundo
a tua palavra “(Lc 1,38). Então coisas maravilhosas se dão na vida
daquele que crê no que Deus que lhe fala. Pregando na Galileia logo no
início de seu ministério, Jesus quis colocar o programa que Ele tinha
a intenção de cumprir nos anos que depois iriam se seguir. Ele a todos
encantava, pois falava da vida espiritual a seus contemporâneos,
contestando o culto estabelecido tal como se desenrolava então nas
sinagogas e também no Templo de Jerusalém. Segundo os melhores
exegetas Ele se apresentava como um Mestre, o Messias, na linha dos
grandes profetas que mostravam Deus numa visão cheia de ternura,
diferente daquela que transparecia através do ensinamento legalista
dos fariseus e dos doutores da lei. Pregava como os profetas
anteriores que haviam aberto o futuro numa esperança que devia se
concretizar na adesão aos verdadeiros valores. Eles anunciaram uma era
de paz, de prosperidade sem violência e a glória de Deus seria
revelada para o bem de todos sem discriminação. Na época de Jesus
contudo, o Deus no qual esperavam era acessível apenas pela aplicação
rígida da lei tal como os fariseus o exigiam Eis por que na própria
sinagoga de Nazaré os aplausos se transformaram em ira e quiseram
inclusive precipitá-lo monte abaixo sobre o qual estava construída a
cidade É de se notar que Jesus não havia infligido nada que
implicasse uma irregularidade no culto, uma vez que tomou e leu o
texto do profeta Isaias que lhe passaram, mas o que irritou a seus
conterrâneos foi que Ele recusara a fazer prodígios exigidos por
eles. No que diz a ordem do culto, Jesus não havia perturbado em nada.
Ele lera o texto previsto para aquele dia, fechara o livro e o passara
ao servente, tudo, portanto, normal. Normal inclusive que Ele fizesse
um comentário sobre o texto que acabara de ler. O que aconteceu foi
que Ele recusou a fazer ali os milagres que realizar em Cafarnaum,
pois os nazarenos se sentiram excluídos. Eles queriam ter um lugar à
parte nos planos de Deus. Neste caso Jesus estava focado na reforma
proposta pelo profeta Isaias e que era a linha diretriz de sua
atuação. Não se tratava de um Messias revolucionário, mas reformador,
cujo programa levava à pessoa humana, quer no plano físico, quer no
plano moral, num notável apoio condenando todos os ataques feitos ao
ser humano sofredor Nestes a reforma, previa um ano de graça do
Senhor.

Professor no Seminário de Mariana 40 anos.