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     A Palavra de Deus é uma fonte inesgotável de vida. Todos os que nela procuram saciar a sua sede mais profunda têm a sua vida banhada pela novidade do Senhor. A sua vida é renovada e suas forças são refeitas. Por isso, insistentemente a Igreja tem reforçado a necessidade de todos dedicarem parte do seu dia em contato íntimo com a Sagrada Escritura.

     Estar em contato íntimo com a Sagrada Escritura é manter contato com o próprio Deus, autor e inspirador dos dois Testamentos. Nela, Deus fala ao coração humano e, ao ser humano, cabe gravar essas palavras em seu coração, como forma de moldar toda a sua vida à maneira que Deus sonhou. Deus fala ao coração humano e, por isso, precisamos ouvir de dentro, ouvir do nosso coração, a palavra que Deus suscita para bem vivermos. Aliás, se não estivermos bem alimentados por essa palavra, vamos incorrer ao perigo de bebermos em qualquer fonte. Muitas dessas outras fontes, não são sadias para a vida humana, não trazendo a saciedade necessária para uma plena realização.

     Na linguagem bíblica, o coração é o lugar das decisões mais profundas. Por isso, o autor sugere que gravemos a Palavra de Deus no coração, pois, ali gravadas, marcará a nossa decisão efetiva por aquilo que, de fato, qualificará a nossa vida, tornando-a mais saudável e aberta às relações. Decidindo-se pelo Senhor, não mais nos contentaremos com as superficialidades deste mundo e com discursos vazios de sentido e desagregadores.

     A Dei Verbum (DV), nº 25, nos ensina que devemos mergulhar na vida de Cristo e a debruçarmos “gostosamente” sobre os textos do Evangelho. Isso pode ser feito na leitura frequente das Escrituras, através da sagrada liturgia e por outros meios que têm surgido e estão em conformidade com o magistério vivo da Igreja. Nos ensina também que a leitura deve ser acompanhada de um momento de oração para que seja possível o diálogo entre Deus e o homem, pois “a Ele falamos, quando rezamos, a Ele ouvimos, quando lemos os divinos oráculos”.

     São Jerônimo dizia que “a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo”. Assim, vamos procurar manter uma intimidade com a Palavra para que não sejamos vulneráveis às falácias do inimigo. A Escritura não é uma crônica ou notícias do passado, menos ainda uma historinha boa para amaciar o nosso ego ou um produto a ser vendido em uma propaganda. Mas, é uma pessoa: Jesus Cristo. Por isso, devemos deixar-nos sermos confrontados pela Palavra e moldados por Ela, pois é Cristo quem realiza isso em nós. Jesus é a mensagem, o conteúdo e o próprio Evangelho; é a autocomunicação de Deus; não é uma teoria ou coisa abstrata, mas é real e deve ser acolhido por todos para que a sua vida ganhe sentido.

 

Róbson da Cunha Chagas

Seminarista do 3º ano de Teologia

rbncunha@gmail.com