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Jesus perguntou a seus discípulos; “Quem dizem os homens que eu sou?”
(Lc 9,24). Várias eram as opiniões, mas Ele desejava saber o que
pensavam os apóstolos. Pedro então respondeu:” Tu és o Messias”, isto
é, o Cristo. Eis aí o fundamento do poder de Deus sobre aquele que
opera, em nome de Deus, uma mudança decisiva da história humana,
aquele que vem reconciliar os homens com Deus, Pedro respondeu com
precisão. Os judeus fervorosos colocavam no Messias a esperança de uma
extraordinária renovação dos corações, mais até do que uma restauração
nacional para Israel. Jesus desejava deixar clara qual era sua missão,
sua maneira de ser, sua mensagem. Era por isto que Ele ensinava,
doutrinando continuamente seus discípulos. Neste trecho do Evangelho
se acha o primeiro anúncio de sua paixão. Entretanto, um Messias
sofredor foi um escândalo para Pedro. Quantos seguidores de Cristo
quereriam um Messias sem a Cruz, as Bem-aventuranças sem sofrimentos,
a amizade de Jesus sem a conversão interior, uma história cristã sem a
cruz. Pedro foi severamente repreendido pelo Mestre divino e este foi
claro: “Quem quiser vir após mim renuncie a si mesmo, tome a sua cruz
e siga-me”. Nesta sentença de Jesus, porém, está explícito que Deus
não fica contente quando os homens sofrem, mas o que glorifica o Ser
Supremo é o amor e não o sofrimento em si. Em Cristo o auge da
amargura coincide misteriosamente com o cúmulo de seu imenso amor para
com aqueles que Ele veio salvar pela cruz redentora. Como ressaltam
muitos teólogos estamos diante de um grande mistério. Deus é Pai, mas
permite os sofrimentos de seu Filho amado pelos quais promove a
redenção dos homens. Tal foi o caminho da salvação traçado por Deus.
Aí está a magna questão que Jesus apresenta a seus seguidores: ou
segui-lo verdadeiramente em tudo e salvar-se ou envergonhar-se dele e
de sua doutrina e perder-se por toda a eternidade. É necessário aderir
a tudo que Ele ensinou e Ele foi claro: “Tome a sua cruz”. É preciso
conformar-se inteiramente ao que Ele determinou e respeitar em tudo os
desígnios divinos. O cristão vive os sofrimentos permitidos por Deus
no horizonte de um profundo amor ao seu Senhor, Pai e Amigo. Cumpre se
abandonar continuamente à sabedoria de Deus que sabe o que é melhor
para cada um. O certo é, porém, que Deus dá sempre força e luz para
levar com amor o sofrimento que se apresentar na vida de quem tem fé.
Nada porém de antecipar ou imaginar qualquer amargura futura, mas,
isto sim, quando ela vier acolhê-la amorosamente e com a graça divina
transformar os espinhos da vida em pérolas para a eternidade. Além
disto, é preciso compreender ao máximo todos os que passam longamente
pelas provas enviadas pelo Ser Supremo, ajudando o próximo a levar sua
cruz. Servindo a Igreja vista não como uma estrutura, mas servidora
das almas que a compõem e então qualquer sofrimento ganha um sentido
profundo. Trata-se de testemunhar em tudo Cristo que por todos sofreu,
descobrindo nossa identidade de cristãos, demonstrando o fundamento de
nossa fé. Isto deve levar então a transmitir a todos que se pode
encontrar em Jesus uma parrava de vida que oferece sentido a tudo que
se pensa, se diz e se pratica. Infeliz é o cristão que na hora em que
é provado pelo sofrimento se desespera ou se revolta. Na vida do
autêntico fiel refulge sempre o verdadeiro sentido de seu encontro
pessoal com Cristo que levou sua cruz até o Calvário. O papa São João
Paulo II na sua carta Apostólica na abertura do Novo Milênio
escreveu:” Nosso testemunho seria bem frágil se não fossemos os
primeiros a testemunhar a verdadeira visão de Jesus Cristo”. Este nos
oferece um bom caminho para bem testemunharmos o divino Redentor, sua
Verdade completa. Ele indaga a cada um: “Vos quem dizeis que eu sou”?
É uma questão de fé, de implicação pessoal. A resposta não se encontra
senão na experiência do silêncio e da oração, pois se trata de algo
pessoal, caminho que souberam percorrer os santos e no qual sabem
andar os verdadeiros seguidores de Cristo. Que nossa prece torne
sempre palpável a presença libertadora do amor de Deus sobretudo nos
momentos de provações. É assim que Deus continua a fazer aliança com
cada um que lhe é fiel através de sinais claros de sua presença, É
bom, porém, se lembrar continuamente que sofrer passa, o ter sofrido
com Jesus permanece para sempre. Deste modo, como falou São Paulo aos
romanos, o Deus da esperança oferece em plenitude na vida deste
autêntico cristão a alegria e a paz (Rm 15,13) Este sapóstolo
afirmou a Timóteo: “Se com Cristo sofremos, com Ele também
reinaremos “(2 Tm 2,2)

Professor no Seminário de Mariana durante 40
anos.