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A Fé de todos os cristãos se concentra na Santíssima Trindade. O amor
de Deus alcança seu mais alto grau ao sacrificar o seu Filho
unigênito, isto é, Jesus, o Verbo encarnado, por todos e cada um dos
homens. Deus quer, portanto, a salvação de todos e não sua condenação
e todos os homens ao crerem nele, isto é, em Jesus Redentor, podem ter
a vida eterna. (João 3, 16-18). Deus salvou o mundo através de Jesus,
porque Ele é amor e se Ele é amor é Trindade e esta revelação está no
centro da mensagem cristã. Com efeito, se entende que Deus é amor
neste sentido que Deus age a nosso respeito com misericórdia,
solicitude e ternura, e isto o povo de Israel o sabia e o Corão não o
rejeita também. Neste caso se pode dizer somente que Deus nos ama, mas
não que Deus é amor. Como nós podemos dizer de cada um de nós que
nós amamos tal ou tal pessoa ou coisa, mas isto não nos permite de
dizer que nós somos amor. Ora a revelação do Novo Testamento vai até
dizer que Deus é Amor. A revelação cristã chega à vida íntima de Deus,
sobre seu ser e não sobre o seu simples agir ou sentimento. O Senhor
se revelou junto dos homens pela sua solicitude por nós, por intenções
benevolentes junto dos homens. Com Jesus Cristo, porém, vamos além da
simples compreensão da manifestação do amor de Deus. Nós podemos
compreender que não somente Deus age com amor e por amor, mas que Ele
e é o amor mesmo. Com Jesus Deus se revelou como comunhão de amor
entre o Pai e o Filho no Espírito Santo. Se podemos dizer que Deus é
por essência amor, é porque nós cremos que Ele não é solitário. Com
efeito, não há amor senão se há uma pessoa que ama e uma pessoa amada.
Se eu não amo nada nem pessoa alguma, a rigor eu posso ter um desejo
de amor, mas eu não posso dizer que eu amo. Eu não posso dizer que eu
amo senão se há uma pessoa ou um objeto para o qual meu amor se
orienta. Ao dizer que Deus é amor significa que nele mesmo e
independentemente da criação há nele uma possibilidade de relações.
Dizer que Deus é amor é dizer que há nele mesmo uma pessoa que ama e
uma pessoa amada. Isso porque o amor não existe em teoria, nem de
maneira abstrata, ele não existe senão na realidade de uma relação.
Eis porque a revelação da Trindade vai de par com a revelação da
essência de Deus como amor. É o mistério mesmo do amor que está no
princípio e no fim de nossa existência. Cada uma das três pessoas não
existe por ela mesma, ela não existe senão sendo pelas duas outras
pessoas. O Pai não existe como Pai distinto do Filho ao qual se dá
inteiramente. O Filho não existe como Filho distinto do Pai senão
sendo todo inteiro um elã de amor para com o Pai. O Pai não existe
como uma pessoa constituída nela mesma e por ela mesma, mas é o ato de
engendrar o Filho que O constitui como pessoa. O Espírito Santo é por
sua vez o dom do Pai ao Filho e a resposta do Filho ao Pai. O que é
assim revelado é que a relação de amor é a forma original de ser, isto
é que o fundo do ser divino é esta comunhão de amor. Deus nos ama
porque o amor está nele. Esta realidade do amor de Deus, como uma
característica de seu ser, nos assegura também a realidade de seu
amor. Ele não pode deixar de nos amar, ou Ele não o seria o que Ele é.
Seu amor para conosco é abertura da comunicação do amor que constitui
o seu ser. Nós não fazemos senão partilhar o que constitui a relação
do Pai com o Filho no Espírito Santo. Deus me ama porque Ele é amor
(1 Jo 4, 7-10). No lugar de uma força obscura, de uma energia
prodigiosa, mas sem visão, nós descobrimos na criação e na origem
desta a visão de um Amor que é Deus. Estas revelação de Deus Trindade
é capital porque ela permite ao ser humano se compreender a si mesmo.
Criado à imagem e semelhança de Deus o homem se compreende como fruto
do amor divino. Criado à imagem e semelhança de Deus o homem se
descobre fundamentalmente como um ser de relações e comunhão. Todo
homem possui este desejo de amar e de ser amado, anelo que não se
realiza plenamente senão entrando em si mesmo e no acolhimento do
outro. Nossa vocação fundamental ao amor e à felicidade é, portanto,
uma vocação, o dom e o acolhimento do outro. O mistério da Santíssima
Trindade é portanto também essencial para aclarar nossa vida. Este
mistério nos revela que nos dispomos ao trabalho de uma conversão
permanente que consiste em ultrapassar nossa maneira equívoca de amar.
Por tudo isto podemos compreender que o mistério da Santíssima
Trindade é o mistério do amor de Deus que é amor. Professor no
Seminário de Mariana durante 40 anos