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No primeiro dia do ano de 2023 a Igreja nos convida a celebrar Maria,
Mãe de Deus. É a oitava solene do Natal, quando comemoramos esta
verdade sublime: “O Verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós”
(Jo 1,14). Deu-se encarnação do Verbo, a eternidade de Deus juntou-se
ao nosso tempo, Ele entrou na nossa história. Eis aí a realidade
extraordinária que nos será oferecida, ainda uma vez, ao longo deste
novo ano. É preciso, portanto acolher esta Aliança divina e dela e
nela viver dia a dia. Os pastores receberam o anúncio da Boa Nova e a
comunicaram, tornando-se missionários. É preciso que também nós a
recebamos e a propaguemos. Para isto é necessário imitar Maria que
conservava todas as mensagens do que então ocorria, meditando-as em
seu coração, Este estava repleto da Palavra de Deus e, por outra
parte, Maria se impregnava intensamente de todos aqueles
acontecimentos. Cumpre-nos aprofundar sempre o que escutamos na
Liturgia à luz dos fatos celebrados. Isto supõe meditar e trazer para
a própria existência, guardando no íntimo de si mesmo a Palavra
divina, encarnando-a em nós mesmos. Eis aí uma condição basilar para
que 2023 seja um ano feliz numa fidelidade constante ao projeto de
Deus. A simplicidade maravilhosa que envolve Jesus, sua mãe, São José
e os pastores é um convite a irmos também nós até Deus, aos outros e
até ao íntimo de nós mesmos, refletindo em todas estas belas
mensagens. É através da humildade que nos dispomos a acolher o
mistério de Deus e o mistério do próximo, penetrando como Maria toda
sua profundidade extraordinária. No elã de nosso amor haveremos de
levar por toda parte felicidade, justiça e caridade. Um ano novo nos é
oferecido para que possamos fazer muito mais do que realizamos em
2022. O primeiro dia do novo ano é um apelo para que nos abramos ao
futuro que Deus nos oferece. Não sabemos o que será 2023 para nós,
para o mundo, para aqueles que nos cercam Nada, porém, de desânimo, de
falta de coragem. O novo ano será o que Deus quiser, mas também o que
nós faremos, agindo com confiança e serenidade. Lembremo-nos das
palavras de São Paulo: “Nós somos mais do que vencedores graças àquele
que nos amou”. (Rm 8,17) Adite-se que o primeiro de janeiro é também o
Dia Mundial da Paz, inicialmente chamado simplesmente de Dia da Paz,
que é comemorado em primeiro de janeiro, tendo sido criado pelo papa
São Paulo VI em 1967 e a ser festejado no dia 10 de janeiro de cada
ano. Na Homilia que o Papa Bento XVI proferiu na Basílica de São Pedro
nesta solenidade de Santa Maria Mãe de Deus em 2008, ele lembrou que
esta festa mariana conserva igualmente um profundo conteúdo
cristológico bem ressaltado por São Paulo. “Ao chegar a plenitude dos
tempos, enviou Deus o seu filho, nascido duma mulher, nascido sob a
lei e para que nós recebêssemos a adoção de filhos” (Gal 4,4-5). Isto
é um dom tão grande, observou o ppapa, “que somente pela fé é que nos
é dado acolhê-lo. É, precisamente, neste caminho de fé que Maria vem
ao nosso encontro sendo para nós um sustentáculo e um guia”. A beleza
da fé que vemos em Maria não é somente um ato intelectual do espírito,
mas uma resposta contínua da vontade que se traduz em uma vida do dom
de si mesmo e de serviço aos outros. Maria mostrou sua fé através de
um grande amor. Eis aí a manifestação a mais clara e a mais
convincente de nossa fé. Pela sua fé Maria demonstrou que ela amava
profundamente Jesus e, esquecida de si mesma, esteve sempre ao serviço
da obra redentora de seu Filho. Saibamos recolher esta preciosa lição
e peçamos sempre a Maria, Rainha da Fé e da Caridade, nos ajude neste
caminho, colaborando continuamente na nossa própria salvação e na do
próximo. Deus pede uma adesão completa de nossa inteligência e de
nossa vontade como ocorreu com a Virgem, Mãe de Jesus. Tal foi sempre
o que aconteceu com Maria que vivia sua entrega à vontade divina em
cada decisão e em cada ato de sua vida e, por isto mesmo, se tornou o
modelo para todos aqueles que seu Filho viera salvar. Nela vemos uma
obediência pronta e alegre, exemplo da fé em ação, na vivência de cada
instante. Esta fé é que deve nos levar a trabalhar pela paz e a
pedi-la a Deus para todos os povos. Num contexto marcado pela
violência, pelos conflitos familiares, Maria está clamando para uma
conversão total. Paz a começar dentro de si mesmo, irradiada no meio
no qual cada um vive, na sua comunidade. Jesus veio para reconciliar
todas os homens com Deus, pregando o Evangelho da paz, abolindo todo
ódio, envolvendo todos no seu espírito de amor. Como Maria e com ela
aprendamos a meditar as maravilhas de Deus em nosso coração,
deixando-nos conduzir durante todo este ano de 2023 pela mensagem
pacificadora do divino Redentor. É por ele e nele que o ano de 2023
será abençoado, sendo todos nós artífices da paz, vivendo a sabedoria
da Mãe de Jesus, não obstante todas as dificuldades que encontrarmos.
Ancorados em Maria e em Jesus, vivendo a experiência de sua
misericórdia e de seu amor, sendo em tudo e por toda parte os arautos
da serenidade através da conversão do coração. Todos serão
então administradores da paz a ser irradiada para toda a humanidade. *
Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.