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Por ocasião do batismo de Jesus revelou-se admiravelmente sua identidade, uma vez que o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma sensível como uma pomba e do céu fez-se ouvir a voz do Pai: “Tu és o meu Filho amado, em ti eu me comprazo” (Lc 3,15-16, 21-22).

Acontecimento notável uma vez que o divino Redentor iria, em seguida, percorrer a região da Galileia, da Samaria e da Judeia. Eis porque, antes do testemunho celeste que o mostrava como o eleito de Deus, filho predileto do Pai, consagrado pelo Espírito divino, João Batista deixou claro que Jesus era o Messias que iria batizar com Espírito Santo e com o fogo. João era o Precursor que intimava os deveres particulares atinentes às diversas classes de ouvintes. Exigia de todos a conversão, a mudança de vida nos pensamentos, nos afetos e em todas as ações. O fato de Jesus vir até ele para ser também batizado significava que Cristo ratificava o movimento espiritual daquele que o anunciara como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

É de se notar, porém, que o evangelista São Lucas frisou, sobretudo, a essência da grandeza de Cristo, inserido no mistério da Santíssima Trindade. Tudo isto acontecendo para fundamentar a fé e a esperança dos seguidores do Messias prometido que ali estava. Ele, sim, seria o iniciador de um mundo novo que completaria seu batismo com sua morte e ressurreição, tendo Ele em tudo a condição humana. São Paulo mostrou claramente em que o batismo de Jesus diz respeito a cada um que recebe esse sacramento da iniciação cristã. Com efeito, ele acentuou a seu amigo Tito os efeitos de graças, de transformação, de renovação que a vinda do Verbo de Deus em nossa carne produz para todos os batizados.

Assim se expressou o Apóstolo: “Pela sua misericórdia, mediante o banho de regeneração e de renovação, operado pelo Espírito Santo, que largamente efundiu sobre nós por meio de Jesus Cristo nosso salvador, a fim de que justificados pela sua graça nos tornássemos, segundo a esperança, herdeiros da vida eterna” (Tito 3,5-7). Agora que Jesus partiu depois de completar sua obra de salvação este é o tempo para pensar sempre nele e para deixar que sua influência, sua obra continue em nossas vidas, a fim de vivermos como filhos de Deus, transformando-nos à Sua imagem, continuamente nos purificando.

Quem vive plenamente todos esses efeitos do batismo faz triunfar a vida de Jesus em sua existência Daí o combate contínuo à injustiça, tratando uns aos outros com respeito e dignidade, numa oposição persistente à violência e ao instinto de dominação. Assim cada batizado se torna arauto da vida nova recebida neste sublime sacramento. Esse o introduz na verdade, na justiça e no amor a Deus e ao próximo num abandono firme de toda mediocridade. São Pedro deixou claro: “Vós, porém, estirpe eleita, sacerdócio régio, gente santa, povo trazido à salvação para tornardes conhecidos os prodígios daquele que vos chamou das trevas para a luz admirável” (1 Pd 2, 9-11).

O Papa Francisco na sua encíclica “A alegria do Evangelho” acentuou que em virtude do batismo recebido, cada membro do Povo de Deus se torna discípulo missionário. Todo batizado, seja qual for sua função na Igreja ou o nível de instrução de sua fé, é um elemento ativo de evangelização porque faz a experiência do amor de Deus que o salva. O batismo de Jesus vem então nos recordar toda grandeza de ser um batizado que deve testemunhar por toda parte as maravilhas da salvação operadas pelo nosso Deus que conta com cada um de nós nessa Sua obra missionária.

Jesus foi o enviado do Pai a este mundo pecador para lhe mostrar que Deus não o abandona nunca e quer a todos libertar. Mensagem gloriosa a ser levada num contexto poluído pelo ódio, pelo egoísmo e pela vingança.

Jesus veio como “Luz das nações”, abrindo os olhos aos cegos e salvando os cativos. Sua salvação é oferecida a todos não obstante os temores e as prevaricações humanas. O batismo de Jesus é, de fato, a imersão total no amor de Deus, renovação completa no Espírito Santo e daí a felicidade de crer nele e de ter sido batizado naquele que tem palavras de vida eterna.


Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho

Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.