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Há sempre alguma força no ser humano que o impulsiona a trabalhar, a
progredir, a se organizar. Ânimo que o leva a agir dia a dia, ano a
ano, durante toda sua passagem por este mundo Para uns, esta força,
por exemplo, é o interesse, para outros é a sede do poder. Para o
verdadeiro cristão, para o autêntico seguidor de Cristo, porém, acima
de tudo e sobretudo, deve ser o amor sobre o qual Ele falou longamente
aos apóstolos, sendo Ele mesmo a fonte, o modelo, desta verdadeira
dileção. Claras as suas palavras: “Permanecei no meu amor “(Jo
15,9-17). Isto porque Ele, somente Ele, tem as palavras e a realidade
da vida eterna. Ele, por primeiro, nos amou, vindo a este mundo para
se sacrificar pela nossa salvação até à morte e morte de cruz. Este
amor de Jesus pelos homens O levou a uma imolação sem limites. Tal
atitude exige, então, uma correspondência a tanta generosidade e Ele
mesmo mostrou como agir em consequência: “Se sois fieis a meus
mandamentos, vós permanecereis no meu amor”. A fidelidade a seus
ensinamentos eis aí, o que mede a amizade entre Jesus, o Filho de Deus
e nós que somos também filhos e filhas de Deus. É preciso que se
lembre sempre que amar é deixar que os outros existam plenamente não
obstante as fronteiras sociais e culturais, as incongruências da
existência humana, as sombras do egoísmo ou da agressividade, seja
onde quer que se esteja vivendo. Amar é saber repartir o bem sem
cessar em casa, nas comunidades eclesiais, nos locais de trabalho
porque o amor de Cristo nos deve impelir a espalhar o bem, desejando-O
participante de todos com os quais se convive. Isto inclusive imitando
a Deus a quem assim se dirige o salmista: “Tu abres a mão e sacias a
todo vivente” (Sl 145,16). Deste modo procede o discípulo de Jesus
que jamais tem as mãos fechadas, nunca deixando de fazer o bem. O
caminho da caridade não deve ter limites. Isto para que a alegria de
Jesus esteja em nós e para que nossa alegria seja perfeita.
Lembremo-nos sempre que Deus ama cada um pessoalmente com uma dileção
total, incondicional e a vinda de Jesus a este mundo ratificou que,
seja cada um de nós quem for, ou o que tenhamos feito ou faremos, o
seu amor jamais diminuirá, e isto nos deve encher de ânimo para
que sejamos sempre bons uns para com os outros. A única retribuição
que Jesus espera de cada um de nós é reconhecer a imensidão de seu
amor e O acolher para viver dele. Donde tal deve ser a prece o
cristão: “Senhor, eu sei que tu me amas. Obrigado por tudo!”.
Jamais, portanto viver sem Jesus como se Ele não existisse. Daí viver
coerentemente, nunca passando um minuto sequer longe dele. Ele
mostrou como assim proceder: “Se vós sois fiéis a meus mandamentos,
vós permanecereis no meu amor, como eu guardei fielmente os
mandamentos de meu Pai e eu permaneço no seu amor”. Ser fiel aos dez
mandamentos é se mostrar fiel a seu Pai. E como é que Jesus nos amou?
Basta olhar para a Cruz. Pois “a cruz é glória não porque é um
instrumento de dor, mas porque é o sinal do fim infligido a quem amou,
a quem é justo, a quem livremente e por afeição depôs a própria vida
pelos outros”. Seu amor foi gratuito, antes mesmo de sermos redimidos
pelo seus sofrimentos salvíficos. Ao olhar o crucificado vemos que Ele
passou um cheque de amor em branco e tem todo o direito de receber uma
resposta de afeto de nossa parte, através do amor que manifestamos uns
aos outros, a saber, como Ele nos amou. Suas palavras foram claras: “O
que fizestes a menor de meus irmãos foi a mim que o fizestes”. Deste
modo, a existência do cristão fica sempre valorizada. Tudo que que ele
faz pelos membros de sua família, pelos amigos, pelos colegas de
trabalho, pelos membros de sua Paróquia fica realmente valorizado.
Isto sem priorizar ninguém, mesmo porque não há uma ordem de
prioridade no dom mesmo que Deus faz a cada um de nós. Em toda parte
viver deste modo a dileção de Jesus. É preciso que se lembre sempre
que Maria, sua mãe e nossa mãe, não foi uma revolucionária, nem uma a
mulher fechada em si mesma, ela a cheia de graças, se limitando a amar
Jesus e José. Deus fez crescer nela um coração que abrigou um imenso
amor e a fez a mãe de todos os homens, fonte de todas as graças para
os que vivem a dileçãodivina. Jesus não nos pede coisas
extraordinárias, impossíveis. Ele quer simplesmente que acolhamos seu
afeto por nós e, em consequência, que amemos os outros como Ele nos
amou. Ele deseja nos ver como um apóstolo que dê fruto para os irmãos,
fruto que se manifesta numa dileção sincera. Como bem se expressou São
João Crisóstomo, “se o amor está difundido por toda parte disto
nascerá uma infinidade de bens”. Amar é, portanto, dar a própria vida
numa abnegação constante, sacrificando o seu tempo, sempre interessado
no progresso espiritual e material dos irmãos, para que eles se
desenvolvam continuamente. Amar é saber proteger os outros,
possibilitando que cresçam como autênticos seres humanos. Amor
concreto, e como foi dito, frutuoso, porque o amor do cristão, se ele
não se manifesta em obras que ajudam, é um amor vazio, fruto de uma fé
morta. Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.