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No dia 23 maio, completa-se 59 anos da Dedicação do Santuário Santa Rita de Cássia e se dá abertura ao ano jubilar de Diamante que nos preparará para a festa dos 60 anos da Dedicação. De imediato pode parecer-nos mais uma festa, no entanto, celebrar a Dedicação de uma Igreja é para nós uma oportunidade de renovarmos a nossa consagração, a partir de uma catequese mistagógica que tal propõe nos inserir, afinal, nós, povo santo de Deus, somos o templo vivo do Deus vivo.
O que é a Dedicação de uma Igreja? Primeiro, é bom destacarmos que o rito de Dedicação é bíblico e tem seus primeiros indícios já no Antigo Testamento. Depois, os primeiros relatos da dedicação cristã se encontram no século III. Dedicação significa “proclamar solenemente”, destinar, atribuir, oferecer ou inaugurar. Para nós cristãos, portanto, Dedicação significa destinar aquele espaço, consagra-lo inteiramente a Deus. Torna-se o lugar da glória do Senhor, lugar de oração e de súplica, de culto e adoração, de graça e santificação. É o lugar onde o povo cristão busca o Deus vivo e verdadeiro (Domus Dei – Casa de Deus).
Como é feita a Dedicação? Para a Igreja primeira, a Celebração Eucarística já era a consagração daquele lugar a Deus. Depois, com o tempo, foram criados ritos que nos ajudaram na catequese daquilo que estava sendo celebrado. A Celebração Eucarística continua sendo primordial na dedicação da Igreja e do altar, também há a transladação das relíquias de santos ou mártires (São Concórdio e Santa Letância, no caso do Santuário Santa Rita de Cássia) e utilização de sinais que demonstram a sacralidade, autenticidade e dão transparência à celebração. Os sinais utilizados são: água, óleo perfumado (óleo do Crisma), incensação, iluminação, dentre outros.
O Rito da Dedicação de uma Igreja oferece aos fiéis uma catequese mistagógica, ou seja, nos insere no mistério de Deus e da Igreja. Nos convida a entendermos que antes de ser o prédio ou templo, a Igreja é o povo reunido por convocação do Senhor. Na liturgia da Dedicação percebemos o constante movimento entre a Igreja viva e a Igreja de pedra. Eusébio de Cesareia, nos ensina que “a atividade de quantos se fatigaram para construir este prédio certamente é apreciada por aquele que é celebrado como Deus, mas não tanto quanto o templo animado que sois todos vós, no momento em que ele admira preferencialmente a casa feita de pedra vivas e unidas, fortemente e solidamente edificada sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, dos quais o próprio Jesus Cristo é a pedra angular”.
São Cesário de Arles, diz que pelo batismo fomos feitos templos de Deus. Da mesma forma que queremos encontrar a Igreja Templo toda ornada, consagrada para Deus, devemos almejar que as nossas almas estejam consagradas a Ele. Assim nos diz o referido bispo: “Deus não habita somente em construções de mão de homem (At 17, 24) nem em casa feita de pedras e madeira; mas principalmente na alma feita à imagem de Deus e edificada por mãos deste artífice. Desse modo pôde São Paulo dizer: ‘O templo de Deus, que sois vós, é santo’ (1Cor 3, 17) ”.
A festa da Dedicação de uma Igreja, portanto, quer nos ensinar que todo o movimento que realizamos por manter este templo consagrado a Deus, devemos nós, zelar para que as nossas almas sejam o lugar teológico da manifestação de Deus. Encerro com mais uma exortação de São Cesário de Arles, bispo do séc. IV: “Queres ver bem limpa a basílica? Não manches tua alma com as nódoas do pecado. Se desejas que a basílica seja luminosa, também Deus quer que tua alma não esteja em trevas, mas que em nós brilhe a luz das boas obras, como disse o Senhor, e seja glorificado aquele que está nos céus. Do mesmo modo como tu entras nesta igreja, assim quer Deus entrar em tua alma, conforme prometeu: ‘E habitarei e andarei entre eles’ (cf. Lv 26, 11.12) ”.