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O mês de junho é muito sugestivo para a nossa experiência de fé e oportunidade segura para prolongar em nossas vidas a humanidade de Jesus. Ressoa em todos os cantos a famosa jaculatória: “Jesus manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao Vosso”. O coração de Jesus ganha ênfase nas celebrações e destaque em nossas casas, pois é o mês de sua Festa. Esse coração, no entanto, não é apenas um adereço religioso, mas é a vida que nos humaniza e nos insere na Vida de Deus e na realidade do outro (mansidão). Por isso, neste mês sagrado, celebramos o Coração de Jesus no desejo de tornar o nosso coração o prolongamento do Coração misericordioso do nosso Pai.

A imagem do Coração de Jesus revela-nos o Amor. Não o amor que insistentemente é narrado de forma banalizado. Mas, o Amor que é Deus e que se fez visível em Jesus. Amor verdadeiro que irrompeu na Cruz e continua pulsando no ressuscitado. No coração de Jesus está a fonte do Amor e, assim, a melhor forma de devoção ao Sagrado Coração é “entrar em Seu coração”, sentir o Amor que queimava n’Ele, sentir-se amado por Ele e aprender que o verdadeiro seguimento é uma atitude de vida no amor. “Amar como Jesus amou” é a atitude esperada de todos que se encontram inseridos em Seu Amor, no Seu Coração. Todos fomos introduzidos na Sagrada Humanidade de Jesus que, sendo Deus, humanizou-se e se fez semelhante a nós, a fim de nos humanizar (salvar).

Ao acolher a iniciativa de Deus descobrimos as enormes possibilidades do nosso coração. O Coração divino humaniza o nosso coração, tornando-o aberto, sensível e misericordioso a tudo que é humano. Ativa em nós a solidariedade e o compromisso de afastar de nossas relações tudo aquilo que é desumanizador: fechamentos, intolerâncias, julgamentos, polarizações, preconceitos, duplicidade, imanentismos… Somos capacitados a olhar a realidade com amor, compreendendo cada pessoa em sua situação, vivendo oblativamente e comprometidos na transmissão da Palavra de Deus e sua obra salvífica.

Ao sentir o nosso coração pulsar, procuremos sentir se ele está pulsando conforme o Coração de Jesus para recuperar o “humanismo” perdido e para humanizar nosso coração e as relações. “O sentido de nossa vida não é outro que a busca deste lugar do coração” (Olivier Clément). O coração é o cofre onde se guarda o que é mais nobre, belo e rico em nós. Que este tesouro maior seja o Senhor. Para isso, peçamos todos os dias o dom de se chegar ao lugar do coração, fonte de vida e verdade, lugar onde se dá a inteireza humana, pois é lá que mora Deus. “O coração absorve o Senhor, e o Senhor absorve o coração, e os dois se fazem uno” (São João Crisóstomo).


Róbson da Cunha Chagas

Seminarista do 4º ano de Teologia

rbncunha@gmail.com