santaritavicosa.com

Dois homens num rota de subúrbio (Lc 24,13-35). Dois homens que nos
parecem como irmãos, mas dois crentes que viveram antes de nós a
ventura da fé. Tudo começa para eles por uma sublime iniciativa de
Jesus. Eles esperavam, entretanto agora não esperam mais. A libertação
política de Israel não se dera: o profeta Cristo estava morto sem
resistência ao suplício reservado aos criminosos, em algumas horas,
nas porta da cidade; era o fracasso em todo sentido, pois a morte
vencera uma vez mais. Bem que houvera uma réstea de esperança:
mulheres do grupo pretendiam que Jesus estava vivo. Tudo que se sabia
era que o túmulo estava vazio: alguns foram até lá, mas Ele, o divino
Mestre, não O tenham visto. Eis o que pode acontecer a cada um de nós.
Nós ouvimos falar do Ressuscitado, nós acolhemos o testemunho da
comunidade de Jesus, mas Ele nós não O vemos. Nós O cremos longe, dia
após dia, porém. Ele toma conosco a iniciativa do diálogo. Esta
iniciativa de amor tomada por Jesus torna possíveis o reencontro e o
reconhecimento progressivos. O desconhecido que se junta aos dois
discípulos não os cega com sua glória, como São Paulo ficara cego no
rota de Damasco, nem lhes mostra suas mãos e seus pés. Ele não lhes dá
uma evidência fácil, mas os incentiva a escutar uma palavra já dita
por Deus. Uma palavra que comenta divinamente a história de Jesus de
Nazaré e que revela o sentido do que havia ocorrido. Aprouve a Deus
salvar o mundo pela loucura da Cruz, reservando a Jesus o destino
misterioso de Servidor sofredor; mas a loucura de Deus é a suprema
sabedoria para a salvação dos homens. Para a feliz redenção. Todo ao
longo do caminho está catequese de Jesus modifica o olhar dos
discípulos, mas eles não percebem imediatamente o calor de seu
coração, nem a claridade que penetrou neles. Eles vão compreender
pouco a pouco. Eles têm suficiente sede da luz para possuir Aquele que
a oferece, mas eles não o reconhecerão senão no momento em que a
liturgia da palavra brilhará na fração do pão, no momento da palavra
que os introduzirá no sacramento, mistério da amizade. Amizade que se
torna o convite e o convidado oferece em partilha sua própria carne.
Este momento, porém, momento supremo é aquele da separação. Como Maria
Madalena os dois homens de Emaús devem perceber a presença na
ausência, penetrando fundo na palavra do amigo. Não se trata de ver,
de tocar, de sentir a proximidade, mas trata-se, pela palavra e pelo
sacramento, de se penetrar profundamente na vida do ressuscitado.
Assim, a iniciativa de Cristo se abre uma vez mais a um reencontro
pessoal e vivificante com Ele. Entretanto, imediatamente este diálogo
com o Ressuscitado se desdobra em missão e em testemunho. Eles tinham
partido dando as costas à cidade do fracasso, abandonando os irmãos em
sua solidão. Tendo, porém, encontrado Jesus, ele retornam de imediato
para a comunidade que tinham abandonado. Eles tinham fugido da
fraternidade desamparada, fixado sobre a lembrança de um morto, mas
agora eles encontraram o Vencedor da morte eles se tornam para sempre
solidários daqueles que creem em Jesus ressuscitado. Voltaram a
Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles.
Belas lições desta passagem dos peregrinos de Emaús. Da decepção
passam eles para o júbilo mais esfuziante ante o encontro com Jesus.
De tristes e sem coragem, se tornam vibrantes, entusiastas
comunicativos, pois viram o Messias que devia salvar Israel e toda a
humanidade. Note-se que Jesus chegou a eles lá onde eles menos o
esperavam, ou seja, no meio de seu caminho, no meio de seu desespero.
Estavam centrados na sua decepção, no seu sofrimento pessoal, a ponto
de não reconhecerem de pronto o Senhor. Seus olhos estava obnubilados
e não viram Jesus. Estes teve toda paciência e perseverança para os
fazer compreender o que havia de acontecer e, de fato, ocorreu. Jesus
caminhou com eles, chegou até um vilarejo e fez que ia continuar o
caminho e sabia bem que nesse momento seus corações estavam tocados e
que eles tinham desejo de saber mais, de falar mais com Ele. Jesus
teria podido entrar diretamente com eles na casa, mas lhes ofereceu a
ocasião de O convidar para isto. Jesus não se impõe, ele se propõe! É
o discípulo que deve desejar estar perto dele. Ele respeita sempre a
liberdade humana de seu seguidor. Ele então pôde se revelar na fração
do pão, porque os seus coações então estavam preparados. Eles estavam
descentralizados de si mesmos e podiam receber a verdade da presença
de Deus. Eles estão agora prontos para reconhecer o Senhor
ressuscitado. Jesus pôde então desaparecer porque sua presença estava
viva pela fé no fundo de seus coações. Esta verdade, esta Boa Nova é
então fonte de profunda alegria e eles vão ser arautos de tudo isto.
Este episódio deve tocar profundamente nossa vida espiritual com todas
essas mensagens. Jesus está presente na Hóstia consagrada e cumpre
viver esta realidade em plenitude, vivificando com ela a nossa vida
diária. Como os discípulos de Emaús digamos sempre a Jesus “ficai
conosco Senhor Jesus” Professor no Seminário da Mariana durante 40
anos.