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O Evangelho de hoje no início do Advento oferece séria advertência de
Jesus: “Estai preparados, porque na hora em que não pensais virá o
Filho do Homem”. Cristo falava de sua outra vinda: Ele vem agora e Ele
virá ainda. O importante para todos hoje é saber como O reconhecer e
como educar nossa percepção para acolher sua vinda de ontem, de hoje e
de amanhã. A advertência de Jesus nos alerta para uma salvação
prometida para toda a terra, não apenas como o que aconteceu para Noé.
Isto porque o nome de Jesus é “o Filho do homem”, um título que
designa, sobretudo no livro de Daniel, um homem realizado sob o olhar
de Deus. Este Filho do homem é enviado por Deus para vir estabelecer a
justiça e para revelar a salvação de toda a humanidade. É o que havia
anunciado o profeta Isaias, O que torna viva nossa esperança pela
promessa do Senhor: “Ele será juiz entre as nações e o árbitro de ao
dilúvio. Há uma semelhança entre a vinda do Filho do homem e o que
aconteceu a Noé: Noé recolheu na sua arca uma amostra de todos os
viventes. No Evangelho de numerosos povos. No Evangelho de hoje esta
missão do Filho do homem é comparada à ação de Deus com relação hoje
viventes – homens e animais – é um pequeno resto inaugurando uma
criação nova. Jesus nos convida então a compreender que a obra do
Filho do homem é comparável àquela de Noé, Ele é como o ramo de
oliveira, Ele é o nosso arco íris no céu, que reúne a humanidade na
justiça. Deste modo a vinda do Filho do homem orienta nosso coração
para uma salvação destinada à criação inteira. Esta boa nova recebida
hoje anuncia, para além de todas as provas que podem nos acontecer, se
dá num mundo renovada pela vinda contínua do Filho do homem.
Entretanto, esta Boa Nova nos convida a nos dispor a acolher com
autenticidade a salvação oferecida.’ Isto significa que cumpre estar
atentos em todas as circunstância, não por temor, mas porque a
salvação está aí, ela já chegou. Jesus nos convida a viver
intensamente esta realidade da salvação oferecida a todos. Nada de se
deixar distrair ou alarmar por entre atitudes superficiais ou uma
resignação passiva, quando, na verdade, a lembrança da vinda do Filho
do Homem deve nos levar a viver na alegria, nos ajudando a guardas a
esperança em todas as circunstâncias. É um convite a vigiar
ativamente, Trata-se de vigiar, isto é, a viver com o cuidado dos
outros, na prática de todas as virtudes, Esta vigilância é, com
efeito, velar pelo bem estar cada um na medida do possível. É o vivar
procurando ser para o outro uma arca na qual se pode encontrar,
amizade, paz e conforto. Porque hoje também terríveis ameaças pesam
sobre a humanidade. Catástrofes naturais, lutas entre nações, fome e
muitos são os refugiados longe de suas pátrias. Cumpre estar
vigilantes ante tudo isto e não ficarmos indiferentes com o que se
passa mundo afora. Nossa força interior é a esperança da salvação que
Deus nos oferece e é também d nossa contribuição inventiva para
construir arcas de salvação. Esperar é um verbo ativo e não uma forma
passiva de resignação diante dos males. Esperar não é estar
adormecido, mas pelo contrário, estar atentos para ir lá onde podemos
ser úteis, ajudando sempre o próximo. Tudo isto porque o Senhor vem!!
Como falou o Papa Francisco, a Igreja pode ser no meio dos sofrimentos
um “hospital de campanha”, um oásis de reconforto, de compreensão, da
fraternidade e de compaixão. Cada vez que uma pessoa encontra perto
dela uma arca de salvação, é o Filho do homem que aí chegou. É deste
modo que a salvação de Deus toma sentido desde agora no meio de nós.
Cumpre sempre se interrogar: “Que é preciso fazer para ser salvo”?
Crer em Deus, em sua palavra, e viver de seus ensinamentos na Bíblia,
porque uma fé sem as obras é morta. Por tudo que estamos refletindo,
Jesus nos interroga sobre a realidade de nossa fé, e nos convida,
desde agora, a nos preparar para o reencontro com Ele, isto é, a viver
em nosso coração desde hoje como se este fosse o último dia. Isto não
quer dizer, nada prever para o futuro, ou tudo abandonar, mas estar
preparados para aparecer diante dele, quando for da vontade divina.
Estar preparados é a grande mensagem do Evangelho de hoje. Vigiar, não
estar sonhando, mas estar atentos. Vigiar é desejar, esperar,
caminhando para o encontro com o Filho do homem. Vigiar é estar
cônscio de que estamos numa peregrinação lutando sempre contra uma
certa sonolência da fé. É sair de uma vida espiritual tornada como que
anestesiada na qual estamos mais ou menos cansados de rezar, de
procurar um Deus que nos parece longe O verdadeiro desejo do encontro
com o Filho do homem faz então atravessar a noite das provas deste
exílio terreno. Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.