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Aos que interrogavam João Batista sobre o que deviam fazer para produzir frutos condignos de arrependimento foram ministrados preciosos ensinamentos (Luc 3,10-18). Pregador exímio, o Precursor de Cristo, mostrava como se preparar urgentemente para receber o divino Redentor. Foi claro e objetivo. A todos em geral recomendava a partilha generosa com os necessitados. Aos coletores de impostos mostrava a necessidade do equilíbrio não exigindo mais do que a lei preceituava. Aos soldados recomendava a fuga da violência, da difamação e da ambição desmesurada. Orientações sábias com relação ao ter e ao poder e que patenteavam um dos aspectos da espiritualidade daquele que era a voz que clamava por uma preparação condigna da chegada do Messias prometido. Honestidade e generosidade eram imprescindíveis para receber através de Cristo o batismo com o Espírito Santo e com o fogo. Além disto, fazia fulgir uma humildade profunda ao afirmar que não era digno de desatar as correias das sandálias daquele que era o Salvador da humanidade.

Fidelidade absoluta à missão da qual estava investido nos planos admiráveis de Deus. São todas estas eminentes virtudes que por meio de João Batista o Advento vem recordar para os fiéis através de todos os tempos, condições para desfrutar as graças natalinas.

Esforço corajoso apesar das provas, das incertezas pessoais, familiares, comunitárias. Um alerta para superar as incompreensões e até, o desprezo do próximo, mas tendo cada um em mira se aprimorar espiritualmente para com alegria acolher de maneira especial a Jesus na comemoração de seu natalício. Raios de esperanças luminosas, júbilo profundo que devem envolver os que desejam honrar o Menino Deus no seu Presépio. Este é um tempo propício para uma imersão na confiança absoluta no amor daquele que se encarnou para remir os que O acatassem e seguissem. Apesar das inquietudes existenciais inerentes a este exílio terreno necessário se faz saborear a paz que se irradia lá de Belém, por que o Filho de Deus se faz semelhante a nós movido pelo grande amor com que desde toda a eternidade envolveu suas criaturas racionais. Diante da afirmativa de João Batista mostrando que o Salvador tem na mão a pá para limpar a sua eira e recolher o trigo no seu celeiro, por força desta certeza, é preciso lançar para longe os pensamentos negativos, as tristezas e todas as recordações mórbidas do passado que possam paralisar e desvitalizar a grandeza do reencontro feliz com o Menino Jesus.

Eis porque este é um tempo para uma revisão otimista da vida pessoal, porque não basta passar pelo Natal, dado que o Natal necessita ser vivido em plenitude com reflexos brilhantes na própria existência. É esta capacidade de ação a qual cada um tem dentro de si que leva a uma ascensão ano após ano junto da manjedoura. O cristão então avança na inteligência de sua vida, num desenvolvimento contínuo, progresso que inclui uma interação amorosa na comunidade em que vive. João Batista está a mostrar que o seguidor de Jesus pode e deve querer se impor um renovado modo de conviver consigo e com os outros.

O Natal passa deste modo a ser um renascimento pessoal, pois a vinda de um Deus a esta terra exige uma renovação contínua dos corações. Tudo isto dentro das limitações naturais do ser humano, o qual, contudo, não pode se entregar a qualquer tipo de mediocridade. A questão é saber explorar a disponibilidade interior, correspondendo às inspirações da graça, bem empregando o tempo num esforço ininterrupto para alcançar a própria santificação. Tarefa complexa, mas indispensável, triunfando o seguidor de Cristo de qualquer resquício de desânimo. Os ensinamentos de João Batista conduzem a um agir constante, discernindo cada um os meios necessários na busca da perfeição. Jesus preceituará: “Sede perfeitos como o Pai celeste é perfeito”.

O Advento oferece ocasião para todas estas reflexões, motivando a adesão aos valores que o Batista salientou: crescimento na solidariedade, na integridade, na compreensão, na humildade. O fundamento de tudo é a fé na Encarnação do Verbo de Deus que impede o cristão de ser palha a ser queimada no fogo inextinguível. Mensagens concretas que conduzem ao domínio do possível da parte de cada em mais uma semana do Advento. 


Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho

Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.