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O Deus no qual nós cremos e que está no coração de nossa fé, não é um Ser solitário, isolado. Uma só natureza, uma só substância, “Aquele que é”, como Ele mesmo revelou a Moisés (Ex 3,14). Na plenitude de seu Ser infinito, porém, a fé nos leva a adorar uma Trindade de pessoas realmente distintas. Distinção real, não meramente fenomenal ou
funcional. Como ensina Tertuliano, a monarquia divina permanece indivisível, mas está distribuída entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Esta diversidade não impede a soberana unidade da divindade, pois as três pessoas têm a mesma essência em uma harmonia e identidades perfeitas. Três Centros de Consciência, três Modos de existir, três Hipóstases ontologicamente arroladas e não apenas em plano meramente dinâmico e relacional. Tríade divinal que patenteia o Pai, o Filho e o Espírito Santo eternamente unidos no mesmo nome – Deus, no idêntico poderio e glória, numa inefável reciprocidade de conhecimento e afeição profunda. Mistério sublime: desde toda eternidade o Pai se conhece. Este pensamento é eterno, substancial, é a imagem de toda vida divina igual a sua origem. Eis a segunda pessoa, o Filho, o Verbo eterno. O Pai e o Filho eternamente se amam. Este
amor é essencial, intemporal, é o Espírito Santo, Terceira Pessoa, que procede do Pai e do Filho.

Foi Jesus quem nos revelou os segredos do Ser Supremo e empregou uma linguagem tirada do mundo da família (Jo 1,16-18), pois Ele nos falou de seu Pai, Ele o Filho. O Amor eterno que os une desde toda a eternidade é o Espírito Santo. Portanto,
embora seja impossível ao ser humano, que é limitado, compreender o mistério do Ser infinito, Jesus nos ofereceu palavras que estão ao alcance da inteligência humana para entender que o nosso Deus é Uno e Trino. Isto nos permite falar de Deus com nossas palavras. Podemos falar com Ele como um Pai, como um Irmão, como um Amigo. Jesus foi mais além ainda ao dizer que o Pai tanto nos amou que sacrificou o próprio Filho que tomara também a natureza humana unida à sua natureza divina e isto porque imenso foi o seu Amor por nós. Voltando, enquanto homem, para junto do Pai nos enviou, como prometera, o divino Espírito Santo.

Estamos, assim, engajados na vida trinitária. A Trindade é
nossa família! Somos os filhos e filhas bem amados do Pai através do Verbo Eterno todos imersos no Espírito Santo. Fomos batizados em nome das três pessoas e o batismo nos imergiu na comunhão de amor que une as três pessoas divinas. Eis porque sempre traçamos sobre nós o sinal da Cruz em nome destas três Pessoas, expressão viva de nossa dignidade de filhos de Deus, imersos que somos nesta existência trinitária e acreditamos no amor que este Deus tem por nós, como salientou São João na sua primeira carta (1 Jo 4,16). Eis porque o cristão deve reconhecer sua nobreza vivendo santamente na presença deste Deus três vezes santo, convivendo com o dinamismo do amor trinitário. Donde o
conselho de São Paulo: ‘Vivei com alegria. Tendei à perfeição, animai-vos, tende um só coração, vivei em paz e o Deus de amor e da paz estará convosco (2 Cor 13,11).

Eis aí a grande mensagem a ser vivida, mesmo porque a fraternidade que deve unir os cristãos é o sinal vivo da unidade divina. Nossa vida interior se alimenta deste movimento entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, nosso Deus misericordioso, cheio de amor e de verdade, segundo a revelação feita por Ele mesmo a Moisés (Ex. 33, 7-11; 34, 5b-9.28). Nem se pode esquecer que na Eucaristia recebemos o Pão vivo que dá a Vida divina, afim de que entremos sempre nesse amor trinitário, para depois podermos, de fato, irradiar este amor, amando os irmãos e irmãs como Jesus nos amou e isto sob as luzes do Espírito de Amor que une as três pessoas divinas. Somos todos convidados a participar do júbilo da
Trindade para estarmos em condição de transmitir por toda parte este júbilo espiritual. Adoremos o Pai. Marchemos no desapego do mundo, seguindo Jesus.

Abramo-nos às inspirações do Espírito Santo. Seremos deste modo um apelo à fé para todos. Acolhamos assim as graças da misericórdia deste Deus uno e trino que deve fulgurar na nossa vida.
Como ensinou São Paulo, Deus é rico em misericórdia. Seremos salvos pela nossa fé confiante, recebendo com amor os dons divinos especialmente o Espírito Santo que reforça o nosso coração e nos permite produzir os verdadeiros frutos de justiça e caridade. Estamos assim celebrando uma história de ternura, a mais bela história de amor de todos os tempos. Na solenidade de hoje, mais do que nunca, deve fluir de nossos corações a secular saudação: “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo”!

*Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.