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João Batista diz claramente que Jesus batizaria com o Espirito Santo e
com o fogo (Lc 3,16). Seu batismo era de conversão e penitência.
Deste modo, ele coloca à luz o foco em Jesus e anuncia sua missão. Ele
era o precursor e também o anunciador do Messias e de seu encargo
redentor. Feliz João Batista que entreabre as portas do Novo
Testamento, mas ele não podia ainda ver a grandeza da Revelação em
Jesus, o qual batizaria no Espirito Santo e no fogo do amor do Pai e
do Filho, fogo que era a força e o poder deste amor. Através do
Espírito Santo a comunhão do batizado com Deus seria completa numa
filiação total. Jesus batizaria com o fogo que imergiria na dileção
trinitária. Ninguém apagara este fogo que brilharia no interior de
quem recebesse o batismo de Jesus, vivendo intensamente esta
realidade. Este fogo, alegria dos corações, daria sentido à vida do
batizado, de sua missão e tenderia a se propagar. Fogo do amor da
Trindade por nós e em nós. Eis aí o que João Batista explicou sobre o
batismo de Jesus, verdades nas quais nem sempre se reflete e das quais
se deve viver. Jesus o Filho de Deus era santíssimo, sem nenhuma
mancha de pecado. Ora, o batismo de, João Batista era um batismo de
purificação. No entanto, Jesus se deixaria batizar por ele e o próprio
Batista não sabia por que motivo, dado que ele conhecia que Jesus era
o Messias. É que Jesus foi ser batizado por São Joao porque Ele
representava naquele rito a humanidade inteira, humanidade pecadora e,
desse modo, mostraria sua vocação de Messias, do enviado por Deus,
caminho que O conduziria à morte na cruz e depois à ressurreição.
Portanto, não se pode ver no batismo de Jesus com o Espírito Santo e
com o fogo como um fato isolado. É preciso vê-lo no conjunto de sua
vida de sua vocação para bem O compreender. Da mesma maneira, nosso
batismo não deve ser visto como algo separado de nossa vida, como
espécie de parêntese, como um dia de festa particular. Nosso batismo
deve ser visto e vivido no conjunto de nossa vida, de nosso caminho
vocacional, isto é, fé da nossa união com Deus no cotidiano de nossa
vida individual e comunitária. Devemos, portanto, nos interrogar do
que temos feito de nosso batismo, como o temos vivido, como tem sido
nossa vida de batizados, de discípulos de Jesus. O batismo nos lavou
de todos as manchas do pecado, mas com a graça de Deus o batizado deve
praticar o bem e evitar o pecado, exercendo influência santificadora
em seu derredor. Por tudo isso, é de suam importância viver em
plenitude a graça extraordinária do próprio batismo, cuja data deve
ser comemorada com suma gratidão a Deus. O ser humano se acha ferido
de uma fragilidade inata, o coração do homem, desde seu nascimento, é
inclinado para o mal mais facilmente do que para o bem. O batismo não
opera magicamente e cada um retém as sequelas do pecado original, mas
o batismo oferece todas as forças necessárias para obter a vitória
sobre as más inclinações. A luta do cristão se prolonga até sua
passagem para a outra vida. Assim sendo, nunca se conscientiza demais
de que o batismo é um renascimento para uma vida nova. Uma imagem pode
nos ajudar a compreender o que quer dizer entrar na vida de Deus, ou
seja a imagem do nascimento pelo batismo. Com efeito, o cristão passa
a viver não só a vida biológica, que é frágil e limitada, mas passa
viver também a vida mesma de Deis sob o influxo do Espirito Santo.
Esta nova força de vida é uma força para crer, para amar e esperar
sem limitações. Não é no dia de nossa morte que entramos na vida
eterna, mas desde o dia do nosso batismo. Pode-se falar no batismo
como uma adoção, uma decisão livre de Deus de nos considerar como seus
filhos bem-amados e de nos assemelhar a seu Filho único, Jesus Cristo,
vivendo no fogo o Espírito Santo. Além disto, o batismo nos torna
membros de um mesmo corpo, a Igreja, família de todos os que
reconhecem o mesmo Deus, Uno e Trino. Irmãos e Irmãs em Jesus Cristo,
os batizados participam então de uma missão, pois o batismo não é
somente crer mas viver. Cada batizado pertence a Cristo. Por isto, ele
se chama cristão e deve ser testemunha viva desta nobreza,
manifestando o amor de Deus para com todos os homens. Trata-se dos
liames da unidade que vão além dos limites da própria Igreja, para a
qual se deve atrair os que a ela não pertencem. Eis porque os cristãos
devem ser perante a face do Ser Supremo sem máculas e santos pelo fogo
de seu amor e assim a muitos arrastar pra junto de Jesus.

 

Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.