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Segundo São Marcos havendo muita gente assentada à volta de Jesus,

disseram-lhe: “Olha, tua mãe e teus irmãos, estão ali fora
procurando-te”. A resposta de Jesus deixou clara a dignidade de seu
seguidor, pois Ele olhando todos que estavam a sua volta afirmou que
quem faz a vontade de Deus, esse é para Ele irmão, irmã e mãe (Mc
3,32-35). Neste episódio é de se notar que os que pertenciam a sua
família saíram de onde moravam para estar com Ele. Jesus, porém, num
dinamismo admirável ampliou esta sua família com numerosos seguidores
dilatando o espaço territorial daqueles que já lhe pertenciam pelo
sangue. Dinâmica admirável que através dos séculos se daria, pois
surgiriam milhares de discípulos de todas as nações. Um sem número
procurando-O e milhares assentados a sua volta, para escutar seus
sábios ensinamentos. Todos incrustrados solidamente nele, se gloriando
de ser seus fiéis seguidores, tornando-se se disponíveis a tudo que
dele recebem e se fazendo arautos de sua celestial doutrina. Como
outrora, como relata o Evangelho de hoje, a todos Ele olha com muito
amor. O importante é se deixar por Ele se instruir se predispondo a
ser doutrinado por este Mestre divino. A ordem dele é “Escutai” (Mc
4,3) e duas vezes Ele insistirá: ´Quem tem ouvidos para ouvir que
ouça” (Mc 4,9.23). Orientação firme atingindo a todos que entram no
círculo de seus adeptos que Ele elevou à dignidade de serem seus
familiares. Isto significa não apenas procurar sempre Jesus, mas
também aderir a todo o projeto salvador do Filho de Deus, captando a
profundidade do plano redentor. Jesus quando disse, referindo-se aos
que estavam a sua volta, “Eis aí minha mãe, meus irmãos” conferiu um
título de glória aos que lhe pertencem semelhante os que ostentavam o
liame sagrado de sangue. Todos, porém, incluídos no projeto salvador
de seu reino neste mundo e no outro. Ele não exclui seus parentes de
sangue, mas solenemente inclui a multidão que através dos tempos se
diriam cristãos. Um admirável parentesco espiritual. O modo de ser de
todos se distinguiria em fazer em tudo e acima de tudo a vontade de
Deus. A vontade de Deus é que todos como sua Mãe, Maria Santíssima,
fossem produtivos, dando frutos para a vida eterna. Jesus depois
explicou o que significa fazer a vontade de Deus, ou seja, acolher e
praticar tudo que o Ser Supremo ordena. Esse Deus que é Todo-poderoso,
Criador do céu e da terra, que quis fazer o homem livre, sabia que
este tantas vezes O desobedeceria, roubando a glória divina. Deus pode
tudo, mas a liberdade de que dotou o ser racional o permite dele
divergir, mas os que dele divergem não pertencem à família de Jesus,
podendo, porém, nela se reintegrar pelo arrependimento e pela
penitência. Tem então a possibilidade, antes de deixar este mundo, de
voltar a fazer Sua vontade santíssima para não estar por toda a
eternidade longe dele. Infeliz daquele que não quer fazer a vontade de
Deus, mas realizar suas próprias experiências, se afastando de seu
Criador. Cumpre pedir sempre a Ele: “Senhor, ensina-me fazer Tua
vontade (Sl 119,26). O certo é que deixados a si mesmos os seres
racionais podem, porém, cair num triste impasse, perdidos, incapazes
de discernir o bem e o mal, o desejável e o condenável. É preciso,
portanto estar todos atentos procurando em tudo fazer a vontade Deus,
como insistiu Jesus no Evangelho de hoje. Na Bíblia está palpitante a
Lei divina. O desejo de Deus, sua vontade, comporta sempre uma parte
de mistério, simplesmente porque ela se liga à pessoa humana e sua
relação íntima, amorosa com este Deus que é Pai, Redentor e
Iluminador. Como diz o Livro da Sabedoria o homem é incapaz por si
mesmo de compreender a vontade de Deus e apreender o que Ele, de fato,
exige (Sab 9,13). A vontade de Deus deve ser captada também lá no
íntimo do coração numa meditação constante da Palavra revelada. A
finalidade da mensagem divina é a felicidade de cada um. Não
simplesmente a felicidade terrestre, mas a felicidade de viver com Ele
e nele por toda a eternidade. Daí o fervor com que se devem repetir as
palavras da oração que Jesus nos ensinou, dirigindo sinceramente cada
um a Deus: “Seja feita a vossa vontade”. É fazendo a vontade divina
que todos nos tornamos irmãos uns dos outros, filhos de Deus e irmãos
de Jesus Cristo. Que a vontade de Deus se faça com sua graça, porque
por nós mesmos somos incapazes de a praticar. A vontade de Deus não se
resume, num mero desejo pessoal, mas na certeza absoluta de que Deus
sábio, deve ser sempre obedecido, pois longe de seus desígnios só pode
reinar a infelicidade. Professor no Seminário de Mariana durante 40
anos.