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A profissão de fé de Simão, assinala uma mudança radical na vida
pública de Jesus. Agora Ele vai privilegiar a formação de seus
discípulos mais próximos e vai anunciar-lhes sua paixão e sua
ressurreição. A questão: “Quem dizem os homens que é o Filho do
homem?”, resume um pouco como que o balanço de seu ministério na
Galileia. Depois de tantas horas de pregação, de tantas jornadas de
curas e de milagres, as opiniões sobre Sua pessoa eram diferentes. O
máximo era a ideia de comparar Jesus a personagens já conhecidas, como
Jeremias ou João Batista, ou ainda a um profeta como Elias, cujo
retorno era esperado como sinal dos tempos messiânicos. A resposta de
Simão vai muito mais longe: ‘’ Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”,
porque ele ultrapassa o nível da carne e do sangue, ou seja, um
julgamento puramente humano. A “carne e o sangue” é o homem deixado a
seus limites, a suas contingências, inapto às novidades de Deus.
Perante Jesus, o Enviado do Pai, é tudo isto que é preciso ultrapassar
para poder Lhe dizer: “Tu és o Cristo”. Não somente tu nos lembras os
grandes crentes do passado, as forças proféticas deste passado, mas tu
és, tu mesmo, o Messias esperado que nos abre o futuro. “Tu és o Filho
do Deus vivo”, acrescenta Simão, e assim ele tenta expressar o
mistério que já o fascina na pessoa de Jesus: Ele age, Ele fala, Ele
vive por aquele que Ele crê ser o Filho de Deus. Simão é inspirado por
Deus e deixa Deus por ele revelar quem é Jesus. Imediatamente, após
esta resposta de fé, que é um engajamento diante de todos em seu amigo
Jesus, Simão vai viver um momento de graça extraordinária. De início
Jesus faz dele um portador de uma beatitude: “Bem-aventurado es tu
Simão, Filho de Jonas”. É a beatitude. É isto é a felicidade
anunciada, daqueles e daquelas que sabem fazer e refazer o passo da fé
e que ousam um nome novo que será programa de vida. Jesus diz: “Tu és
Pedro, tu és a Rocha”. É uma palavra criadora e recriadora. Agora
Simão o pescador será o rochedo de fundação da Igreja de Jesus. A
experiência de Simão Pedro¸ de Simão o Rochedo, tem muito a nos dizer.
É certo que é seu o privilégio de ser pedra de fundação, o segundo
Pastor, após Cristo. Nós somos, por nossa parte, pedras vivas,
inseridas na construção. Mas nós nos tornamos pedras de fundação seja
para a família, seja para a mensagem que nos é confiada, tendo em
vista a transmissão de uma vida santa como aqueles que nos precederam,
fascinados por Ele. Para isso é preciso então seguir o caminho aberto
por Simão Pedro. Cumpre ultrapassar a carne e o sangue, cessar de tudo
fazer nas proporções de nossa inteligência e de nosso coração, cessar
de fazer esperar o Mestre divino, nele, porém, depositando toda nossa
fé e nossa confiança e ousar dizer enfim a nosso amigo Jesus a palavra
para nós decisiva: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus: a Ti eu entrego
todas as minhas forças, hoje e para sempre”. É preciso se tornar
maleável à graça divina numa entrega absoluta, uma vez que esta
graça nos atrai para Jesus, para a comunidade de Jesus, reunida
fraternalmente em torno de Pedro, o Pastor Supremo depois de Jesus,
guiados por Deus, guiados por Ele à luz de Jesus Cristo. É preciso que
entremos na beatitude de Simão, o Rochedo, na felicidade dos que
confessam Cristo, que não se afastam de Jesus e que aceitam uma vez
por todas ter os olhos sempre voltados para o Salvador. Fiéis sempre
ao Papa sucessor de Pedro, o qual proporciona através dos tempos a
mesma felicidade e obediência a Cristo. Porque Pedro reconheceu Jesus
como o Filho de Deus ele recebeu as chaves do Reino dos céus. São
Pedro juntamente com São Paulo foi o fundamento da Igreja primitiva e
por conseguinte de nossa fé cristã. Por isto são celebrados neste dia
por serem estes Apóstolos do Senhor, testemunhas que na primeira hora
viveram os primeiros momentos da expansão da Igreja e selaram com seu
sangue a fidelidade a Jesus. Eles nos concitam a uma fidelidade
absoluta à Igreja de Cristo. Nós cristãos do século vinte e um
possamos ser testemunhas fidedignas do amor de Deus aos homens como o
foram estes dois Apóstolos que hoje festejamos No dizer do Papa
Francisco, gloriosamente reinante, nós devemos marchar, edificar e
confessar que Jesus é o Filho de Deus. Estaremos as recebendo toda a
beatitude que recebeu Pedro e estaremos imitando também Paulo que
sempre foi fiel discípulo de Jesus. Professor no Seminário de
Mariana durante 40 anos.