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Duas mulheres se cumprimentam no limiar da Nova Aliança: uma já
idosa, a outra ainda jovem. (Luc 1,30-45). Ambas sintetizam toda
história santa. Em sua velhice Isabel representa bem o passar dos
longos séculos de preparação para a vinda do Messias e Maria em sua
juventude, sem mancha e sem ruga, anuncia a Igreja de Jesus. Elas têm
em comum sua esperança e sua maternidade, mas sobretudo fazem que esta
maternidade as engajem inteiramente no plano de Deus e as duas
crianças que haveriam de nascer são filhas do impossível diante dos
homens, pois Isabel era estéril e Maria antes havia decidido ficar
virgem. Ambas demonstram que nada é impossível para Deus, não obstante
a diferença entre as duas crianças que elas em si traziam, dadas as
circunstâncias que as envolviam. Uma por milagre é o filho de
Zacarias, a outra, também miraculosamente, é o Filho de Deus. No
entanto, é Maria quem saúda primeiro e não sua prima, pois ela era a
serva do Senhor que trazia o Servidor. Entretanto, desde que o som de
sua voz chega a Isabel ela sente seu filho rejubilar seu seio. Nisto
não há nada de extraordinário para uma mãe que estava no seu sexto
mês, mas o notável é que o Espírito Santo é quem faz irrupção nela, e
lhe desvela a mensagem simbólica deste movimento da criança no momento
mesmo da chagada de Maria. Isabel exclamou em alta voz numa dupla
benção: “Bendita es tu entre as mulheres e bendito é fruto de teu
ventre. Como me é dado que venha a mim a mãe de meu Senhor’? Ela se
situa no seu verdadeira lugar diante da jovem mãe do Messias. Ela
percebeu que a exultação de seu filho era consequência da presença do
Redentor esperado ansiosamente por todos, já que Maria trazia em si o
Salvador da humanidade. Tudo isto resultado do encontro invisível de
duas crianças extraordinárias. Jesus reveste sua mãe de sua dignidade
de rainha, João desperta a sua mãe ao acolhimento do mistério das
obras de Deus. Estava anunciado ao mundo que a desgraça causada por
Eva estava para sempre superada e o Espírito Santo quis que o primeiro
diálogo sobre a redenção do mundo fosse aquele de duas mulheres
grávidas, imagens perfeitas da realização desta felicidade. A nota de
notável ventura que completa a saudação de Isabel: “Bem-aventurada
aquela que acreditou que que teriam cumprimento as coisas que lhe
foram ditas da parte do Senhor”, reluz neste diálogo maravilhoso. A
beatitude de Maria se enraíza na sua fé e Jesus mesmo proclamará isto
solenemente no dia em que uma mulher na multidão elevará sua voz para
lhe dizer: “Bem-aventurada a Mulher que te trouxe e te alimentou.
Cristo então responderá acentuando algo essencial: “Tu queres dizer, a
mulher que acolhe a palavra e a guarda”. Eis aí a felicidade de todos
aqueles que edificam sua vida baseada na fé nas promessas de Deus.
Todos nós temos necessidade de que a Igreja nos traga esta certeza de
que haverá uma realização plena de tudo que foi dito da parte do
Senhor e Cristo, invisivelmente está a ponto de crescer no mundo, na
nossa comunidade, na nossa família e no coração de todos os que querem
se aproximar das realidades divinas prometidas. Cristo veio, vem e
virá. Veio na sua humildade, vem na sua intimidade através da
Eucaristia e virá um dia na imensidão do clarão de sua glória.
Entretanto porque a fé deve ser cultivada, porque a esperança deve
rebrilhar em nossos corações, Maria que visitou Isabel, quer vir nos
visitar da parte de Deus e clama para nós: “O Senhor está próximo!” E
repetiremos inspirados nas a palavra de Isabel: “Donde nos vem a
felicidade vir até nós tantas graças através da Mãe de nosso Senhor!
Tudo isto a envolver num gaudio profundo que borbulhava no íntimo dos
corações de Isabel e Maria repercutindo nas montanhas da Judéia.
Júbilo de Maria, uma mão que traz em si um filho que é o Messias
prometido e que já antes de nascer era o peregrino divino que tudo
abençoava por onde passava. Alegria de Isabel cujo filho rejubila no
seu ventre com a presença de Jesus. Para participar desse gaudio, para
gozar esta mesma alegria que reinava nos corações de Isabel e Maria é
preciso, porém, abrir nossa mentes à fé e à ação constante de Deus em
nossas vidas, Fazer-nos peregrinos com Jesus, estar unidos àquela que
acreditou. Pelos caminhos da terra, em sua caminhada um cristão deve
levar consigo sempre as dimensões da fé, ou seja, a união com Deus e o
serviço aos outros que contemplamos em Maria que foi-se colocar a
serviço de sua prima santa Isabel Estamos próximos do Natal e, por
isto, a Liturgia fixa nosso olhar nestas duas futuras mães com todas
as belas mensagens que estamos meditando, mostrando que as luzes
divinas promanam da fé e esperança que se enraízam no íntimo dos
corações daqueles que sabem escutar os apelos de Deus. Estejamos
sempre engajados no caminho da confiança, da fé no acolhimento da
salvação que Jesus veio nos trazer.

Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.