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A virtude da castidade é de suma importância na vida do cristão. pois a alternativa é evidente: ou o ser humano comanda suas paixões e obtém a paz, ou ele se deixa dominar por elas e se torna infeliz. Ensina o Catecismo da Igreja Católica: “A castidade é uma virtude moral.

É também um dom de Deus, uma graça, um fruto da obra espiritual. O Espírito Santo concede o dom de imitar a pureza de Cristo àquele que foi regenerado pela água do Batismo (§2347), Acrescenta no parágrafo seguinte: “Todo batizado é chamado à castidade. O cristão ‘se vestiu de Cristo’, modelo de toda castidade. Todos os fiéis de Cristo são chamados a levar uma vida casta segundo seu específico estado de vida. No momento do Batismo, o cristão se comprometeu a viver sua afetividade na castidade”. Cumpre uma luta constante contra a luxúria que é o vício contrário a esta virtude. A luxúria é perniciosa em razão de seus lamentáveis efeitos. Trata-se da violação do sexto e do nono mandamentos da sagrada Lei de Deus. É o esquecimento voluntário daquilo que o Criador ordena. Consiste no mau uso da finalidade do sexo, vislumbrado fora do projeto de Deus bem expresso no Decálogo. É uma ferida, uma vergonha, uma alienação dos desejos castos. É o domínio da concupiscência da carne.

É o uso errado do corpo que fica eroticamente estimulado em si mesmo ou no outro como se fora um mero objeto de prazer. O cristão considera seu corpo como habitação e templo do Espírito Santo, nada admitindo, nada tolerando absolutamente, que o manche. Cumpre sempre fazer triunfar o amor divino sobre qualquer tipo de impureza. A razão precisa vencer todos os apetites desonestos. Com a graça é possível instaurar o império da inteligência contaminada pelo pecado original, governando o corpo e reduzindo-o à servidão, pois, os desvios carnais embrutecem a mente humana.

A castidade é o reflexo luminoso da espiritualidade e da imortalidade da alma. Para ser casto o autêntico seguidor de Cristo foge das ocasiões de pecado, evitando inclusive as imaginações desregradas e um sentimentalismo desvirtuado. Emprega ainda atos criteriosos de mortificação sobretudo da vista. Não entra jamais em sites pornográficos, que são caminho tenebroso para os pecados. Procura viver na presença do Deus três vezes santo. É preciso que cada um se convença de que a luxúria aliena a liberdade. Pode-se até ficar na dependência do sexo como do álcool ou da droga.

Trata-se de uma patologia espiritual que abrutalha o ser humano. Triste a situação daquele que se entrega à doença da alma vítima da tirania do prazer. É mister seguir sempre o conselho de São Paulo: “ Glorificai a Deus em vosso próprio corpo” (1 Cor 6,19-20). É necessário acolher o dom da castidade, almejando a pureza interior e procurado logo se confessar se, por acaso, houver algum deslize grave.

É de bom alvitre rezar sempre: “-O Maria, concebida sem pecado original, rogai a Deus por nós que recorremos a vós” […] Menino Jesus por nós encarnado, livrai-nos da mancha de todo o pecado”. [ …} Jesus, eu confio em vós”. Estas preces levam ao controle de si mesmo e fortalecessem a vontade.

Deste modo, se preserva a dignidade humana, livrando-a da escravidão as paixões. Num mundo entrega a todo tipo de perversidades é possível conservar uma vida ilibada com a graça de Deus. São Paulo deixou claro: “Eu tudo posso naquele que é a minha fortaleza” (Fil 4,13). São João alertou na sua Primeira Carta: “ Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto o veremos como ele é. E todo aquele que nele tem esta esperança torna-se puro, como Ele é puro” (1 Jo 3,2-3).

Viver a castidade segundo o plano de Deus quer antes do casament0, quer no matrimônio, quer na vida consagrada, eis aí o ideal sublime do autêntico discípulo de Jesus que jamais mancha sua alma, renunciando sempre a qualquer tipo de fornicação. 

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho

Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.