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No tribunal no qual foi julgado Jesus proclamou solenemente sua realeza ao responder à indagação se Ele era, de fato, rei. Declarou claramente a Pilatos: ”Tu o disseste eu sou rei” (Jo 18,33-37). A essência de sua missão régia era “dar testemunho da verdade”. Esta verdade era Ele mesmo e, portanto, acatá-lo seria receber uma verdadeira consistência espiritual para dilatar seu reinado através dos tempos. Deste vigor interior de seu seguidor viriam as luzes para pensar corretamente e a coragem de agir segundo seus ensinamentos.

De fato, Ele é rei que instila nos corações a energia para irradiar a bondade e a misericórdia. Em torno dele surgiriam sempre novos modos de relações entre os seres humanos hauridas no amor de seu divino coração. Seu reino seria então um reino de fraternidade e de paz, numa luta constante contra o mal. Trata-se do combate às causas permanentes de violências e de ódio que são a injustiça, a miséria, a dominação ou a exploração, a corrupção ou a exclusão social.

Com Ele seus súditos deveriam sempre ser sinais de seu amor, construtores de seu Reino, dado que Ele é o vencedor do mal e da morte. Esta sempre foi e será a missão do cristão: dar ao mundo a verdadeira imagem de Cristo Rei. Ele um soberano que se colocou inteiramente ao serviço dos homens, criados à semelhança do Pai. É sendo humilde e serviçal aos outros que seu discípulo entra no grande movimento dos desígnios do amor divino numa abertura para acolher a irrupção de Deus na história, desenvolvendo uma atitude de atenção e cordialidade para com todos. Quem realmente pertence a Cristo Rei ajuda o próximo nas inquietudes da vida, a ter confiança no dia a dia através da paciência e da perseverança que devem ser distintivos de quem se submete a este Rei. Realiza-se deste modo a comunhão no imenso movimento de amor que pulsa dentro do Reino de Cristo.

Na solenidade de hoje se pode perceber ao vivo a união de todos os batizados em torno de seu Soberano e Senhor. Com Ele será sempre possível dominar as forças do mal não sendo o cristão cúmplice das iniquidades que campeiam no mundo. A mensagem da solenidade de Cristo Rei se torna então uma mensagem de otimismo porque aos que creem é comunicada a tarefa de dilatar a vitória do bem e da verdade. Para indicar o caminho do justo a Bíblia usa a imagem dos opostos, ou seja, o caminho de Deus e o caminho do perverso, daquele que não se submete ao Reino divino. São duas vias opostas. Neste mundo se vive nas fronteiras da luz e das trevas e aí reside a responsabilidade dos que pertencem a Cristo Rei que é difundir a claridade, afastando as sombras do erro e do pecado.

Cumpre fazer prevalecer a radicalidade da verdade que deve se sobrepor à ausência da compaixão e misericórdia. O seguidor de Cristo Rei projeta sua luz no futuro da história da humanidade e de sua história pessoal. As misérias do mundo presente com seus horrores passarão. Raiará o dia no qual Cristo Rei vencerá todas as potências infernais. Assim sendo, no coração da humanidade, o seguidor deste Rei imortal dos séculos se enche de esperanças porque chamado por Cristo a participar de sua obra de salvação na vida familiar, profissional, social, vigilante para jamais trair seu soberano senhor.

É que a fé invisível que habita o coração do súdito de Cristo Rei ilumina a sociedade, mesmo porque a força do bem é superior a todas as invectivas do mal. Desse modo, a festa de Cristo Rei deve levar a todos a entrar no mistério de Jesus do qual se quer ser discípulo fiel e sincero.

A lição a reter então nesta festa, recordando que Cristo é o Rei do Universo, é que não se pode duvidar da importância dos esforços pessoais para levar por toda parte a verdadeira visão do império da virtude sobre todos os erros, sendo cada um o sinal indissociável da santidade que faz ver a presença de Jesus onde quer que o cristão esteja. Isto de modo especial manifestando o interesse pelos pobres, pelos mais necessitados num contínuo serviço ao próximo.

É desse modo que se faz Jesus seja conhecido por toda parte, visto como o Rei perfeito que tem o poder de transformar seus seguidores à sua imagem, se estes, de fato, correspondem a suas intervenções dentro de seus corações. Foi o que aconteceu com os santos, com aqueles que já se acham no Reino dos céus e que continuam a convidar os seus devotos a imitá-los.

Para eles Cristo foi o Rei de suas inteligências e O receberam com toda a submissão, numa obediência total da fé. Aqui na terra Ele se tornara para os bons o Rei de suas vontades pela impulsão e inspirações que sempre lhes ofereceu, inflamando seus sentimentos para as mais nobres ações. Por tudo isto aqueles que já se acham no Reino do Céu, neste mundo, O tiveram sempre como Rei de seus corações, imersos no seu imenso amor. Portanto, saibamos também nós imitá-los e com eles estaremos com Cristo Rei por toda a eternidade. 

 

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho

Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.