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A Igreja convida os fiéis a voltarem suas atenções para o mistério da Divina Misericórdia. Isto corresponde ao pedido do próprio Cristo a Santa Faustina Kowalska. A esta santa polonesa, Ele falou: “Eu desejo que se institua uma festa da Misericórdia” e determinou que fosse o primeiro domingo depois da Páscoa.

No Evangelho de hoje Jesus Ressuscitado aparece duas vezes aos Apóstolos reunidos no Cenáculo, desejando-lhes: “A paz seja convosco” (Jo 20,19-31). Está bem de acordo com o que Ele falou a Santa Faustina: “A humanidade não encontrará a paz enquanto não se voltar, com confiança, para a minha misericórdia”.

Lá no Cenáculo Jesus instituiu o Sacramento da Penitência numa outra manifestação da sua comiseração. Expressou-se claramente: “Recebei o Espírito Santo, àqueles a quem perdoardes os pecados, ficar–lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficar-lhes-ão retidos”.

Eis porque o Papa Bento XVI afirmou que “longe de ser uma devoção secundária, o culto da Misericórdia Divina faz parte integrante da fé e da prece do cristão”. Jesus mostrou aos Apóstolos as chagas abertas da sua paixão donde emanou o total indulto. Esta misericórdia, dizia São João Paulo II, “Cristo a difundiu sobre a humanidade através do dom do Espírito Santo que na Trindade é a Pessoa-Amor”.

A misericórdia, acrescentava São João Paulo II, “é o segundo nome do Amor, do Amor esplendoroso em seu aspecto o mais profundo e terno”. Este Papa mostrou ainda que “Cristo leva em seu corpo e em seu coração todo o peso do mal, toda sua força devastadora. Jesus na Cruz incinerou e transformou o mal no sofrimento, no fogo de seu amor sofrido”. Jesus ressuscitado confiou aos Apóstolos, temerosos e estupefatos, a missão de serem os ministros da misericórdia divina, dom que nasce das feridas de suas mãos, de seus pés e, sobretudo de seu coração traspassado.

A Igreja se tornou deste modo a casa da misericórdia aberta a todos os homens. Cumpre então a nós nos entregarmos confiantes à bondade infinita, encontrando repouso e segurança nestas chagas salvadoras. Esta segurança deve levar o cristão a um grande amor a Jesus, demonstrado na observância total dos mandamentos divinos para poder alcançar a salvação eterna. Suas chagas foram causadas pelos pecados da humanidade e é preciso, então, gratidão para com quem tanto nos amou.

Donde a necessidade de se repetir sempre a prece salutar: “Jesus, eu confio em vós”. Não há fé mais profunda, esperança mais viva e amor mais ardente do que a fé, a esperança e o amor daquele que por entre as dificuldades desta vida se coloca nas mãos seguras de seu Senhor. “Jesus eu confio em Vos”, pois é neste amor reconfortante que se deve querer viver e responder aos desígnios caritativos do divino Ressuscitado. Portanto, saibamos acolher sua paz e sua ternura. Ele quer nos encontrar, lá dentro de um coração sincero que busca um itinerário de transformação contínua. Deste modo é que se podem degustar os eflúvios da indulgência de um Deus que tanto nos amou.

Ele oferece a segurança de sua presença, de sua força. Seu olhar é um ollhar de quem quer perdoar, olhar libertador, confortador. Diante das misérias humanas surge sempre o perdão caritativo de Deus. Quem acolhe esta anistia do Senhor, saberá então também perdoar os outros e a si mesmo.

O mundo quer tudo justificar não aceitando o caminho da conversão. Eis porque o acolhimento e a proclamação da misericórdia de Deus são urgentes num contexto histórico violento e entregue à dissolução dos costumes. A bondade divina vem ao encontro das contradições humanas mostrando que cada ser humano é superior a seus pecados. Destes ele pode se libertar ao se imergir no oceano da clemência de um Deus sumamente misericordioso.

Este oferece aos homens todas as condições para que espiritualmente se regenerem. Desta forma, o cristão tem como degustar a felicidade de viver na fé do Ressuscitado, fé que é um dom, uma escuta e uma resposta ao amor, uma experiência da aventura de se viver sob a luz de seu Senhor. Foi o que aconteceu com São Tomé, que, vencida a sua incredulidade, exclamou “Meu Senhor e meu Deus”. Cristo continua a oferecer todas as oportunidades para que cada um de seus seguidores partilhe sua vida de ressuscitado, dando um sentido a suas cruzes. Felizes os que se aproximarem da fonte de sua Misericórdia infinita que são suas chagas gloriosas, pois estes estarão salvos. 


Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho

Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.