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Embora o Rosário não seja uma oração litúrgica, traduz o testemunho da conservação de inúmeros valores, dignos de serem cultivados pela espiritualidade de todos os tempos. Isto, graças ao ritmo litânico em que se desenrola pela temática evangélica que apresenta e pela fusão da expressão oral com a meditação interior que o define.

A contemplação do Rosário é uma profunda reflexão sobre a Encarnação, a Vida Redentora, a Luz do Reino e a Ressurreição de Jesus e daquela que se tornou o instrumento mais direto de que Deus se serviu para entrar na História da humanidade: Maria de Nazaré.

O Beato Paulo VI, em sua Encíclica Christi Matri, consagrou o mês de outubro ao Rosário. No marcante dia sete de outubro de 2002, memória litúrgica de Nossa Senhora do Rosário, São João Paulo II ampliou esta popular e tradicional devoção. Deste modo, na confecção do Rosário completo, em vez de três “Terços”, temos quatro “Quartos”. Como o usual é mesmo a recitação por parte, através dos grupos de cinco mistérios, em nada foi modificado o conjunto das “contas” que vêm anexadas. A única diferença é quanto à contemplação dos mistérios. Permaneceram normalmente os Mistérios Gozosos, Dolorosos e Gloriosos, acrescentando-se um conjunto de cinco dezenas: Mistérios Luminosos.

Os Mistérios da Luz estão incluídos entre os Gozosos e os Dolorosos e são contemplados às quintas-feiras. Temos então a seguinte ordem: Mistérios Gozosos, Luminosos, Dolorosos e Gloriosos. A luz é imprescindível à vida, e Cristo é a Luz que preenche de sentido nosso viver.

Trata-se de uma leitura orante da Palavra de Deus. Vinte vezes é recitada a oração bíblica do Pai-Nosso. As duzentas Ave Marias, em sua primeira parte, referem-se a uma citação literal da Bíblia (Lc 1,42). Dezenove dos vinte Mistérios são textos bíblicos. O único que não é diretamente bíblico é o que aborda a Assunção de Maria; ainda assim foi declarado dogma de fé pelo Papa Pio XII, a 1º/11/1950. – “O que ligares na terra será ligado no céu…” Mt 16,18s.

Recordemos, então, os Mistérios Luminosos:

Primeiro Mistério: Batismo de Jesus (Mt 3,13-17; Mc 1,9-11; Lc 3,21s; Jo 1,32-34); Segundo Mistério: Milagre de Caná (Jo 2,1-12); Terceiro Mistério: Proclamação do Reino de Deus (Mt 3-13 e nos Evangelhos em geral); Quarto Mistério: Transfiguração (Mt 17,1-9; Mc 9,2-10; Lc 9,28b-36); Quinto Mistério: Instituição da Eucaristia (Mt 26,26-29; Mc 14,22-25; Lc 22,14-20; 1Cor 11,23-26).

Quem se habitua à prática desta prece litânica se coloca, pela contemplação de seus mistérios, em sintonia com o Projeto de Deus, ou seja, a vida plena para toda a família humana, por meio da ação salvífica de Seu Divino Filho, vivendo assim A ESPIRITUALIDADE DO ROSÁRIO.

Padre Paulo Dionê Quintão – Pároco